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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Da minha temporada nos motéis..


Foram três meses frequentando motel. Diversos quartos, formas, camas, lençóis. Sexo no sofá, na cama, no chuveiro, no chão, na mesa. O que eu realmente me arrependo é de não ter - em nenhum momento - cheirado cocaína antes de trepar com ele. Hábitos meus que ele reprovava. Mas fiz, certamente, bom uso do meu humor alcoólico. Começamos a nos relacionar dois meses antes de eu fazer dezoito anos. Eu dezessete, ele vinte e sete. É incrível o poder que uma carne jovem tem, não?!
Ele sempre me tratou muito bem, me desafiava em jogos mentais pelos bares que percorríamos durante a noite. E terminava a madrugada percorrendo o meu corpo, dentro do meu corpo, através do meu corpo.
Espelhos no teto, na parede refletiam as nossas formas se encontrando, entrando um no outro, se atravessando. As vezes ainda sinto o cheiro daquele maldito perfuma barato que ele usava.
Enfim, em uma certa ocasião eu comecei a gostar dele, e fui homem para assumir e falar isso para ele. Todavia, a verdadeira não era recíproca, e como ele mesmo me disse, ele só queria sexo. Minhas atitudes destrutivas fazem com que eu queira me acabar - bebo, uso drogas, entrego meu corpo a desconhecidos, enterro minha alma. Dormi naquela noite mastigando a idéia de que era somente sexo. Me permiti viver isso e trepei como um animal no cio. Para quem não sabe - I'm straight up BDS&M, babe. Ele era forte, malhava, tinha braços e costas enormes, embora não era somente isso que fosse grande no seu corpo.
Fazíamos todas as posições, molhávamos a cama com suor, saliva e gozo. Éramos dois animais brigando. Um dia ele começou a gostar de mim, e um dia eu cansei. Não tinha mais prazer naquele beijo, naqueles braços. Não queria mais aquele cheiro, me cansei do gosto do seu pau. Já tirei tudo o que podia tirar dele, e mesmo ainda estando ao meu alcance, prefiro que ele vá.